Porque a quantidade nunca é apenas uma questão de volume
Uma das perguntas mais frequentes no mundo da perfumaria é também uma das mais enganadoras:
“Quantas peças tenho de produzir para começar?”
A resposta que muitos esperam é um número. A verdadeira resposta é: depende do sistema que está a construir.
No sector, a questão da quantidade é frequentemente abordada de forma superficial, como se “começar pequeno” fosse suficiente para reduzir o risco. Na realidade, em muitos casos, começar demasiado pequeno aumentos o risco.
O mito dos micro-lotes
Produzir poucas peças é muitas vezes visto como uma escolha prudente. Menos investimento inicial, menos exposição, mais flexibilidade.
Mas na prática:
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os custos unitários aumentam
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compressão das margens
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os fornecedores tornam-se menos disponíveis
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a qualidade do projeto é prejudicada
Um micro-lote já não é seguro. É simplesmente menos tolerante ao erro.
A quantidade como alavanca industrial
Num projeto de perfumaria, a quantidade não serve apenas para “fazer volume”. Serve para:
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absorção dos custos fixos
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estabilizar a produção
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tornar o projeto replicável
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melhorar a qualidade global
Abaixo de um certo limite, o projeto não tem espaço para respirar. Cada erro tem um peso demasiado grande.
Não existe uma quantidade certa absoluta
A quantidade correta depende de variáveis precisas:
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canal de vendas
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preço de retalho
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estrutura de custos
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posicionamento
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objectivos a médio prazo
Um projeto vendido em linha não tem a mesma lógica que um vendido a retalho. Um preço elevado tolera volumes diferentes de um preço acessível.
Perguntar “quantas peças são necessárias” sem definir o contexto é como perguntar “que tamanho deve ter uma casa” sem saber quem vai viver nela.
O primeiro lote não é uma prova, é uma mensagem
O primeiro lote comunica muitas coisas, mesmo que não nos apercebamos disso:
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comunica o quanto a marca acredita no projeto
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comunica solidez aos parceiros
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comunica a fiabilidade aos fornecedores
Um primeiro lote demasiado pequeno é frequentemente sinal de incerteza. E a incerteza, no mercado, reflecte-se.
O problema oculto da reorganização
Muitos projectos são construídos tendo em conta apenas o primeiro lote. Muito poucos pensam seriamente na reorganização.
Ainda assim:
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o segundo lote é o que decide se o projeto é replicável
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a primeira pode funcionar para o entusiasmo
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a segunda só funciona se o sistema se mantiver
Se o projeto não melhorar após a reordenação, em termos de custo, tempo e fluidez, isso significa que a quantidade inicial estava errada.
Quando algumas peças fazem sentido
Há casos em que é correto começar com pequenas quantidades:
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projectos experimentais
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edições limitadas reais
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testes de mercado muito específicos
Mas mesmo nestes casos, os limites devem ser conhecedor, não sofreu.
Começar com pouco só funciona quando:
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o padrão é claro
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os custos estão sob controlo
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o passo seguinte já foi pensado
A pergunta certa a fazer
A questão não é: “Quantas peças posso comprar?”
A questão é: “De quantas peças preciso para que este projeto funcione realmente?”
Trata-se de uma diferença subtil mas decisiva.
Conclusão
A quantidade não é uma variável neutra. É uma escolha estratégica, industrial e económica.
Os projectos que funcionam não são os que produzem mais. São aqueles que produzem bastante para ser sustentável.
Compreender este limiar antes de arrancar faz muitas vezes a diferença entre um projeto que cresce e um que fica preso no primeiro lote.
Nota Estratégia de informação
Este artigo não convida a mais produção. Convida a produzir critério.
Porque na perfumaria contemporânea, a quantidade certa não é a que tranquiliza à primeira, mas a que permite que o projeto dure.