Quando uma fragrância se torna um sistema e não um produto
No mundo da perfumaria, a maioria dos projectos começa com um objetivo claro: desenvolver um produto.
Um perfume. Um difusor. Uma experiência específica.
No entanto, neste projeto, o ponto de partida foi diferente. Não era um produto. Mas um sistema.
O contexto: uma multinacional global
O projeto resulta da colaboração com uma empresa multinacional de ferramentas com milhares de pontos de venda distribuídos por todo o mundo.
Um contexto muito distante da perfumaria tradicional. E, precisamente por isso, extremamente interessante. O objetivo não era “entrar no mundo das fragrâncias”.
Mas utilizar as fragrâncias como melhorar a experiência global da marca.
Do produto à experiência olfactiva
O pedido inicial não era sobre uma única categoria. Tratava-se de construir um sistema coerente para utilizar a fragrância em vários momentos da vida quotidiana. Assim nasceu o projeto Cross Market.
Desenvolvemos quatro tipos de produtos, cada um com uma função específica:
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Fragrâncias para automóveis
Uma extensão natural da experiência fora da loja. -
Difusores domésticos
A continuidade da marca nos espaços domésticos. -
Fragrâncias pessoais
Uma declinação mais íntima, ligada à pessoa. -
Sistemas de perfumação na loja
Sistemas de difusão em loja concebidos para trabalhar o marketing olfativo.
Quatro categorias diferentes. Uma lógica.
O desafio: coerência entre contextos diferentes
O verdadeiro trabalho não era desenvolver quatro produtos. Tem vindo a construir coerência entre contextos completamente diferentes.
Automóvel. Casa. Pessoa. Espaço comercial.
Cada quarto tem:
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diferentes tempos de exposição
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diferentes modos de fruição
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diferentes intensidades necessárias
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diferentes expectativas sensoriais
O risco era óbvio: criar quatro produtos desconexos. O objetivo era o oposto: criar uma experiência reconhecível, adaptada mas coerente.
O perfume como linguagem
Neste projeto, a fragrância não foi tratada como um elemento isolado. Foi tratada como uma linguagem.
Uma língua capaz de:
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acompanhar o cliente em diferentes alturas do dia
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reforçar o reconhecimento da marca
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criar uma continuidade entre o ambiente físico e o ambiente pessoal
A dificuldade não era criar boas fragrâncias. Estava a criar fragrâncias coerentes entre si e adaptáveis ao contexto.
Marketing olfativo: do apoio ao efeito de alavanca estratégico
Uma parte central do projeto foi o desenvolvimento de sistemas de difusão em loja. O marketing olfativo é frequentemente tratado como um elemento acessório. Neste caso, tornou-se uma alavanca estratégica.
Não para “perfumar o quarto”, mas para:
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melhorar a retenção na loja
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reforçar a identidade da marca
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criar uma experiência mais envolvente
E, sobretudo, para se ligar a outros produtos. Quem vive a experiência na loja pode encontrá-la em casa, no carro, na pele.
O verdadeiro valor do projeto
O valor deste projeto não reside nas categorias individuais. Está na capacidade de construir uma sistema olfativo multimercado. Um sistema em que:
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cada produto tem uma função
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cada função é coerente com a marca
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cada ponto de contacto reforça os outros
Não se trata de uma extensão do alcance. É uma extensão da experiência.
Conclusão
Projectos como este mostram uma direção cada vez mais clara na perfumaria contemporânea.
A fragrância já não é apenas um produto para vender. É uma ferramenta para construir relações, continuidade e identidade. Quando concebida de forma sistémica, torna-se parte da experiência diária do cliente.
É nessa altura que deixa de ser um elemento acessório e se torna um verdadeiro trunfo estratégico.